Dica de Redação

10 passos para escrever um texto que atenda às expectativas da banca

Equipe RND
Escrito por Equipe RND em 13 de abril de 2020
10 passos para escrever um texto que atenda às expectativas da banca
Aprenda a escrever uma Redação Nota Dez

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Por Sérgio Degrande Júnior (com adaptações)*

Quando se fala em “redação nota dez”, logo surge uma mística que permeia o pensamento de grande parte dos alunos: trata-se de um texto sublime, feito com requintes a que um aluno comum não tem acesso. Ledo engano. A redação nota dez é, em síntese, aquela que atende a todas as solicitações apresentadas pela proposta, ou seja, não se trata de um texto para entrar na Academia Brasileira de Letras, mas aquele em que o aluno demonstre capacidade de leitura, interpretação, adequação de ideias, domínio da linguagem culta e, principalmente, poder de argumentação – dentro dos limites e parâmetros que fazem parte do universo de um estudante de segundo grau.

Por que então a redação nota dez produz fantasmas tão cruéis? Provavelmente a culpa recaia sobre nós, professores apaixonados, que usamos como modelos os textos dispostos pelas universidades nos sites e jornais. Vasculhamos, entre tantos, os que “ultrapassam” a fronteira da normalidade se nos darmos conta de que, na ânsia por chamar a atenção para uma redação bonita, repleta de técnicas, esbanjando nas citações, metáforas, alusões e vocabulário requintado, acabamos criando paradigmas que não traduzem a verdade dos vestibulares.

Qual seria o caminho para um texto nota dez? Não há uma receita infalível, mesmo porque as variantes temáticas são grandes, os critérios de correção divergentes e, evidentemente, as pessoalidades, mesmo que expurgadas pelas direções das bancas, deixam traços que podem alterar as avaliações finais. De qualquer forma, há um fio condutor comum, que não varia demasiadamente e garante um caminho seguro.

Os dez passos a seguir servem de base para a produção de um texto adequado às expectativas da banca. Não são regras fixas, cartesianas. Elas podem sofrer as mais diferentes modificações, mas o ponto central é esse mesmo. O que fica, no entanto, é a certeza de que para produzir um texto nota dez, bem mais do que regras, é preciso treino e avaliação. Ninguém produz um texto excelente da noite para o dia.

1. Leitura temática para adequação da proposta

Entende-se por leitura temática a associação entre a leitura e a interpretação cuidadosa do tema proposto pela banca à coletânea (textos de apoio) apresentada. Um equívoco cometido nesse item pode representar um caminho desastroso para o candidato (concurseiro ou vestibulando).

O ideal é ler atentamente, marcar pontos importantes, avaliar os conceitos emitidos, acentuar detalhes imprescindíveis e, fundamentalmente, produzir um projeto de texto que demonstre com precisão a capacidade de trabalhar o tema dentro do que foi solicitado. É sempre bom lembrar que, em muitos casos, o tema exige um senso de observação aguçado, que leva o aluno, obrigatoriamente, a relações intertextuais dinâmicas e até mesmo complexas, principalmente nos chamados temas filosóficos ou mesmo comportamentais.

2. Projeto de texto

A experiência em sala de aula revela-nos uma situação inquestionável: os textos que não passam por um projeto são os que mais podem suscitar problemas. E o que seria um projeto de texto? Depois de uma boa leitura temática, o candidato deve projetar/planejar o que vai escrever, ou seja, deve limitar o texto às exigências, balanceado com o que ele sabe e pode trabalhar.

Assim, no caso dos textos argumentativos, o primeiro passo é extrair uma tese, a ideia que vai ser exposta e defendida. Em seguida, buscar as argumentações que, de forma crítica e bem conduzidas, possam sustentar a tal tese. Tudo isso de maneira esquemática, atentando para incluir pontos que sejam importantes e não esquecidos quando da elaboração do texto.

A conclusão é outra parte que precisa ser planejada, para que o candidato possa imaginar quando e como vai terminar a redação.

É fundamental lembrar que temos um espaço para escrever e, seja qual for o gênero, ele precisa atender aos limites impostos. Daí a importância também do planejamento textual.

3. Coesão e lógica

Não se imagina a construção de um texto sem que haja uma lógica, um sentido, quer entre os termos que o integram, quer entre a forma que o representa. Assim, uma redação nota dez é aquela que apresenta ideias cuidadosamente dispostas, que permitam ao leitor uma compreensão exata do que se pretendeu escrever. Cabe então ao candidato dispor as partes que integram o texto dentro dos parâmetros adequados.

Uma dissertação deve apresentar introdução, desenvolvimento e conclusão. É providencial também que os parágrafos estejam alinhados, os períodos bem organizados para que a leitura seja clara e sem dispersão. Para tanto, o uso correto dos conectivos torna-se fundamental. São eles que permitem esses ajustes e compõem as ligações exatas. Quem quer produzir textos nota dez deve estudar e conhecer o uso adequado dos conectivos.

Um bom vocabulário é outro fator importante na composição de um texto. Variar os termos, fazer uso dos sinônimos demonstra um elevado grau de competência.

4. Coerência e verossimilhança

Um texto deve ser uniforme. Isto quer dizer que a ideia que o norteia não pode ser contraditória, generalizante ou mesmo inverossímil. A redação nota dez é aquela que prima pela coerência, ou seja, não desdiz o que vinha apresentando, não parte para generalizações inexatas, nem mesmo transita por considerações infundadas.

Em termos gerais, a coerência diz respeito ao modo como as ideias são dispostas. Aplicar, como exemplo, um conceito pessoal ou não verdadeiro a uma situação confere um ar de descrédito – exemplo disso é dizer que todos os políticos são desonestos, que todos os jovens usam drogas etc. Pode parecer estranho, mas tal processo é mais comum do que se possa imaginar. Fazer considerações que beiram o absurdo é outro fator que deve ser extirpado de um texto que se pretenda nota dez. A internet é pródiga em nos apresentar cúmulos dessa natureza.. Viram motivo de chacota, estranhamento e repulsa.

5. Linguagem

Houve um tempo em que a avaliação de um texto vinha, primeiramente, dos elementos linguísticos que o compunham. Exatamente por isso, muita gente ainda acha que não cometer erros gramaticais, por si só, representa o caminho exato para a redação nota dez. Ledo engano novamente. Como já vimos até agora, o texto é um conjunto de fatores e, claro, a linguagem é um deles.

Certamente um texto que não apresente erros gramaticais possui um passaporte poderoso para chegar à nota máxima. Mas qual é a linguagem apropriada? Observa-se que a chamada normal culta, ou norma padrão, é a mais adequada. O que um examinador espera de um candidato que busca uma vaga em uma universidade ou cargo público? Que ele tenha domínio do trato linguístico, que ele seja capaz e conhecer e reconhecer as diversas linguagens, que saiba e possa comunicar-se dentro do mínimo e necessário exigido pela língua pátria. É dessa forma que os vestibulares, de modo geral, avaliam seus candidatos.

Não é preciso engolir um dicionário, usar termos que caíram em desuso, demonstrar erudição afetada – nada disso. Basta que saibam acentuar, concordar verbal e nominalmente; que demonstrem conhecer os preceitos da ortografia e não cometam erros bárbaros; que demonstrem habilidade na utilização dos conectivos, dos pronomes e dos verbos e que o conhecimento da regência verbal e nominal condiga como tecido textual. Nada que uma boa dose de leitura diária e compromisso com o estudo da gramática não possam ajudar a melhorar.

6. As fórmulas mágicas

Um dos grandes fantasmas que assombram a cabeça dos vestibulandos é a busca por uma fórmula mágica capaz de, num só momento, produzir um texto impecável. Assim, vão se colecionando técnicas e mais técnicas, num amontoado de efeitos que, se não bem conduzidos, certamente levam a um texto pífio ou sem qualquer noção de autoria.

É evidente que não se pode eliminar as técnicas na composição de um texto, mas é fundamental que elas sejam bem empregadas, com sentido e bem alicerçadas. Por exemplo, durante muito tempo foi moda o emprego das alusões nos textos dissertativos. Algumas escolas faziam os alunos decorarem trechos de obras, personagens da mitologia grega e coisas do gênero para depois utilizarem nos textos, querendo, com isso, angariar a “simpatia” dos corretores. Muitas vezes, a redação ficava tão estúpida que sobravam risos e descrédito.

Uma citação, uma alusão, um efeito de causa e consequência, uma definição, e assim por diante, são recursos que imprimem ao texto uma qualidade superior, mas não devem e não podem ser usados sem nexo e competência.

O caminho para uma adequação inteligente desses recursos é o treinamento – que, aliás, é parte essencial na elaboração de um bom texto. Fazer uso de instrumentos potenciais requer técnica, cuidado e acompanhamento profissional. É preciso saber quando e como fazer uso deles. Abrir uma redação com uma definição descontextualizada ou uma alusão imprópria não traz benefício algum.

7. Parágrafos

Os parágrafos representam a particularização do pensamento. Num texto de vestibular ou concurso é fundamental que eles estejam presentes. É o fator divisor das partes que compõem os gêneros. Assim, no texto dissertativo, por exemplo, o primeiro parágrafo deve representar a introdução, os seguintes o desenvolvimento e o último a conclusão.

Mas quantos parágrafos deve ter um texto? Não há uma receita própria, mesmo porque há diferenças de tamanhos de redação no Brasil. O ideal é que, para um texto de 30 linhas, existam pelo menos 4 parágrafos: um para a introdução, dois para o desenvolvimento e um para a conclusão.

Entretanto, essa não é uma fórmula exata. O que se poder dizer é que o cuidado com os parágrafos deve ser preocupação permanente do vestibulando e do concurseiro. Um parágrafo longo em demasia pode denotar um acúmulo ou confusão de ideias. Já um parágrafo muito curto aponta para sonegação delas. O ideal é que eles sejam equilibrados: nem longos nem curtos. Que possam expressar a ideia de uma forma lógica e competente, em total sintonia com o texto.

8. Letra

Qual a melhor letra para uma redação nota dez? Indiscutivelmente, a legível. Produzir um texto com letra de imprensa ou cursiva é outro problema que assola quem está se preparando para a prova de redação.

Será dada preferência às letras cursivas. No entanto, isso não quer dizer quase nada para a maioria das bancas. O aluno deve se preocupar em produzir um texto que seja facilmente legível e não provoque no examinador dificuldades que derivem da falta de sentido, o que pode comprometer significativamente o resultado final.

Outra coisa que não pode acontecer é não diferenciar a letra maiúscula da minúscula, algo que fere as normas ortográficas e, obviamente, faz o candidato perder pontos.

9. Tamanho

Imagina-se que um texto nota dez tenha um tamanho exagerado e que o aluno escreva sem parar. Nada disso. O texto precisa ser conciso, apresentar o que a proposta determina dentro de um espaço adequado. As bancas de vestibulares e concursos são muito rígidos na questão espacial. Para a grande maioria, nada que ultrapasse o limite será considerado, e isso mexe com a coesão textual. É preciso usar o bom senso.

10. Coletânea: copiar ou usar?

O texto nota dez é aquele em que o aluno soube usar a coletânea, sem copiá-la. A coletânea (também conhecida como “texto de apoio”) é o balizamento oferecido pela banca para que o candidato possa direcionar o seu texto. Em alguns casos, a simples cópia pode representar perdas significativas de pontos, ou até mesmo zerar a redação. Já a sua não utilização implica também prejuízos. Desta forma, a melhor opção é ler a coletânea, entender as ideias que dela provêm e produzir o texto consoante com os limites impostos. Trata-se de uma questão de segurança e qualidade textual.

* Sérgio Degrande Júnior é professor de Redação e Interpretação de Textos do Curso Dom Bosco / Curitiba.

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2 Replies to “10 passos para escrever um texto que atenda às expectativas da banca”

Martina

Excelente! Escrever um texto nota dez pra mim é aquele que resulta de muitas tentativas, erros e re-escritas. Tudo isso buscando conciliar a compreensão da ideia com a forma da escrita. Parabéns nota 10!

RND

Martina, é sempre feliz te ver por aqui.
Obrigada por suas palavras! Grande beijo!