Dica de Redação

10 alusões literárias que vão funcionar em sua redação

Ena Lélis
Escrito por Ena Lélis em 13 de janeiro de 2020
10 alusões literárias que vão funcionar em sua redação
Aprenda a escrever uma Redação Nota Dez

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Entre os problemas mais recorrentes nos textos de muitos candidatos está o da pobreza de conteúdo. E isso provoca, quase que instantaneamente, um déficit no poder argumentativo do texto. Por observarmos tanto isso e também pelos e-mails que temos recebido com dúvidas sobre quais referências literárias utilizar, decidimos reunir uma lista de livros que fornecerão maior profundidade à sua argumentação. A referência literária (não esqueça disso!) é uma das mais fortes estratégias argumentativas.

Vamos às referências:

1. 1984, de George Orwell

A história se passa no ano de 1984, em um futuro distópico onde o Estado impõe um regime extremamente totalitário para a sociedade, através da vigilância do Grande Irmão, imposta pelo partido (Ingsoc), onde ninguém escapa do seu poder. Assim, o local do romance, Oceania, é dominado pelo medo e pela repressão, pois quem pensava contra o regime era acusado de cometer um crime (no livro, crimideia, ou crime de ideia, na tradução de novilíngua, idioma do futuro).

No romance, o personagem principal, que representa o contraponto ao regime, é Winston Smith. Logo ele começa a questionar o modo como age o Estado. Winston faz parte do Ministério da Verdade, tendo como função alterar dados para que toda a história, comunicado e documento estivesse de acordo com o que o partido pregava. A crimideia acontecia justamente quando alguma pessoa era denunciada por questionar esses documentos. A punição era aplicada pela Polícia do Pensamento, que eliminava a pessoa.

O livro marcou não só sua geração por já ter nascido tocando em assuntos polêmicos, mas influenciou vários pensadores, obras e até a cultura pop. Abaixo, listamos observações importantes a respeito de 1984:

– Esse romance, apesar de contar a história no futuro, foi inspirado em regimes totalitários das décadas de 1930 e 1940, trazendo uma profunda reflexão e crítica ao fato de cidadãos comuns serem reduzidos a peças para servir o estado, através do controle total. Muito mais do que o nazismo ou stalinismo é possível traçar paralelos com diversas formas de controle do governo e também do mercado sob a sociedade.

– Não é novidade que o reality show, Big Brother, foi inspirado no Grande Irmão da ficção, trazendo a mesma ideia para o programa: indivíduos ficam confinados e são vigiados por câmeras 24 horas.

– “Orwelliano” virou um termo conhecido para se referir a algo totalitário, opressivo. Por exemplo, aquele país tem políticas “orwellianas”.

– Um exemplo marcante do que vivemos hoje foi que, em 2011, nos EUA, quando o Governo do país queria manter o monitoramento de determinados indivíduos sem mandado, o juiz da Suprema Corte, Stephen Breyer, embasou seus questionamentos fazendo claras referências à obra de 1984.

– Atualmente, a sociedade vive sob a vigilância de câmeras de segurança em ruas, lojas e sob as câmeras de celulares, tablets e computadores, algo como as teletelas descritas em 1984 como as TVs que transmitiam as imagens de propagandas do regime, mas também captavam imagens da audiência.

– Indo mais além nessa questão, atualmente, debate-se amplamente sobre a questão da privacidade e vigilância de dados na Internet. Até que ponto redes sociais e buscadores como o Google estão capturando nossos dados de navegação e hábitos na rede para influenciarem nosso comportamento e enviarem conteúdos?

1984 é um livro mundialmente celebrado. A obra trata de uma temática que não poderia ser mais atual: o que pode ocorrer com uma sociedade altamente vigiada? E quando essa vigilância transforma-se em mecanismo para controlar as pessoas? Logo, controle, opressão, totalitarismo, controle de dados e invasão de privacidade são as tônicas desta obra, que deve ser referenciada em seus textos quando estas forem as temáticas.

Curiosidades:

2. Lolita, de Vladimir Nabokov

A história é contada pelo personagem Humbert Humbert, um professor de meia-idade que aluga um quarto da casa de Charlotte Haze e sua filha Dolores, de 12 anos. Dada a sua obsessão pela menina, Humbert casa-se com Charlotte para se manter mais próximo do seu objeto de desejo. Com a morte de Charlotte, ele passa a viver com Dolores como pai e filha aos olhos da sociedade. Mas, por dentro da trama, há uma série de acontecimentos e pontos de vista que, até hoje, são recebidos de diferentes maneiras pelos leitores (não esquecer que a história é contada na versão do homem) e pelos telespectadores das diversas versões em filme.

Hollywood vestiu Lolita como uma criança sexualizada e vendeu o atrativo papel da ninfeta que seduz o homem mais velho. Já na obra, o papel do pedófilo é assumido. A leitura é praticamente obrigatória para ser utilizada como rica referência para os temas de pedofilia e aliciamento de menores.

3. Anne of Green Gables, de Lucy Maud Montgomery

O romance conta a história de Anne Shirley, uma menina órfã que foi adotada por engano quando os irmãos Marilla e Matthew Cuthbert queriam adotar um menino para ajudá-los nos afazeres da fazenda Green Gables. A narrativa tem inspiração na vida da própria escritora, que perdeu a mãe com pouco menos de 2 anos de idade e, então, passou a viver com os avós, uma vez que o pai se recusou a criá-la.

A história da menina órfã, determinada e cheia de imaginação data do ano de 1908 e tornou-se uma referência na cultura literária canadense. Em 2017, a Netflix lançou a série Anne with an E, com um roteiro que, assim como o livro, trata de temas como: preconceito, não aceitação do diferente, bullying e feminismo.

4. Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus

Alguns escritores já escreveram sobre o cotidiano miserável das favelas, mas a maioria o fez sem, de fato, conhecer uma favela. Em Quarto de despejo, a perspectiva é diferente: quem escreve é Carolina Maria de Jesus, moradora da então favela do Canindé de São Paulo (extinta para a construção da Marginal do Rio Tietê), uma catadora de papel e de outras sucatas, uma mulher negra, pobre, mãe, escritora e favelada.

O diário foi escrito na década de 1950 e conta a dura realidade dos favelados de Canindé e dos seus costumes. Trata-se de um diário que relata e denuncia a violência, a miséria, a fome, a desigualdade social e o racismo.

… As oito e meia da noite eu ja estava na favela respirando o odor dos excrementos que mescla com o barro podre. Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludos, almofadas de sitim. E quando estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora do uso, digno de estar num quarto de despejo. (JESUS, 2007, p.38).

5. Vidas Secas, de Graciliano Ramos

O romance narra a história da retirada de uma família de nordestinos por causa da seca. Através da narrativa, o leitor entra em contato com o sertão e o sofrimento da família de Fabiano. Anseios, sonhos, frustrações e muito sofrimento vêm à tona enquanto a família se retira. Fabiano arruma um emprego de vaqueiro numa propriedade que a família ocupa na época da chuva. É preso injustamente pelo soldado amarelo. Com a prisão, o personagem analisa a sua própria condição de homem-bicho e se dá por vencido diante das desilusões em relação à vida dos filhos. A seca volta e anuncia um tempo de miséria e fome. Com a seca, os retirantes deixam a casa da fazenda e recomeçam a andança sem rumo retratada no início da narrativa.

Observa-se, no papel de cada personagem, características marcantes que podem ser utilizadas como referências no processo da argumentação textual:

Fabiano é um homem que apesar das adversidades é capaz de se analisar, mesmo possuindo dificuldades de comunicação. Na maioria das vezes se comunica por meio de sons e interjeições, portanto percebe-se que tal fato assemelha-se ao mundo animal (zoomorfização). Fabiano tem complexo de inferioridade, por isso submete-se às autoridades e aos poderosos. É conformado com vida que ele e sua família têm e atribui isso ao destino. Na obra é a representação alegórica da seca.

Sinhá Vitória, mulher de Fabiano, é determinada e forte. É impaciente com os cuidados da casa e dos filhos. Tem uma percepção superior a do esposo e é capaz de pensar com clareza e objetividade. Além de tudo, sabe contar. Tem a habilidade de manter acesa a esperança de um futuro melhor para ela e sua família.

O filho mais novo quase não se comunica, mas adora pensar que um dia quando crescer será admirado e respeitado pelo irmão e pela cachorra. Sonha em ser vaqueiro, tal qual ao pai.

O menino mais velho, sem amigos e solitário, vê na cachorra a única amizade possível. É bastante curioso e adora fazer perguntas, entretanto, é sempre repreendido. Sonha em ter um amigo.

Baleia é uma cachorra que possui sentimentos e pensamentos humanos, daí a antropomorfização. No início da narrativa, ela salva a família da fome ao caçar preás. É morta por Fabiano, pois apresentava sintomas de raiva. Baleia é a representatividade da fidelidade ao dono e sua família; não entende as atitudes humanas e não compreende os pontapés que ganha sem motivo.

O Soldado amarelo é símbolo da autoridade do governo e da injustiça contra os mais fracos.

O patrão, que rouba Fabiano por este não saber contar, é símbolo da opressão dos poderosos e da exploração do trabalho alheio.

Desse modo, Vidas Secas traz referências possíveis à fome, pobreza, desigualdade social, falta de acesso a direitos básicos, seca, submissão dos mais fracos aos mais fortes, opressão dos poderosos e exploração do trabalho alheio.

[resumo adaptado do site Cola da Web.]

6. Os sofrimentos do jovem Werther, de Johann Wolfgang Goethe

Na obra-prima de Goethe, Os Sofrimentos do Jovem Werther o rapaz, por motivos de trabalho, está longe de sua família e amigos, mas comunica-se com Whilhelm através de cartas nas quais narra sua história de paixão e tragédia com a jovem Lotte.Desde o início ele soube que sua amada estava prometida a um noivo: Albert, homem cujo qual Werther adquiriu grande admiração e amizade desde sua apresentação.

Mas o tempo é um martírio para as almas envoltas pela paixão.

Com o convívio diário, Werther apaixonava-se cada vez mais. Passeios no campo, longas conversas, poemas, todos momentos que contribuiram para fazer com que esquecesse do mundo todo e só visse importância em Lotte. Por vezes, tentou afastar esse pensamento, sabia que nunca poderia tê-la para si, mas a certeza cega de que ela também o amava fez com que retornasse para, mortalmente, ser atingido pela paixão.Com o casamento entre Albert e Lotte, Werther cada vez mais pensava na impossibilidade de seguir sua vida, de viver sem Lotte, de viver simplesmente.

Em uma última noite, houve um beijo. O mais sublime e apaixonado beijo da história da literatura, Lotte sabia que amava Werther, mas também sabia que este amor era impossível. Assim, ela pediu para nunca mais vê-lo e ele assentiu.

Naquela mesma noite o jovem mandou seu criado pedir as pistolas de Albert emprestadas, alegando que ia viajar e precisava de proteção, elas vieram das mãos da própria esposa.

No dia seguinte, Werther foi encontrado morto em seu quarto, com um tiro acima do olho direito. Todas as suas cartas a Lotte estão transcritas no livro.

A obra permite ser referenciada em temas como valorização dos sentimentos em detrimento da razão, desejo pelo impossível, suicídio passional.

Curiosidade: Quando lançado na Europa (1774), o livro inspirou uma leva de jovens leitores, que passaram a se vestir como o protagonista. Atribui-se a ele uma onda de suicídios na época.

[resumo adaptado do blog Lendo.org.

7. A hora da estrela, de Clarice Lispector

A história é narrada por Rodrigo S.M. (narrador-personagem), um escritor à espera da morte. Ele é uma das peças-chave do livro. Ao longo da obra ele reflete os seus sentimentos e os de Macabéa, a protagonista da obra.

Nordestina órfã de pai e mãe, e criada por uma tia que a maltratava muito, Macabéa é uma alagoana pobre de 19 anos que possui um corpo franzino e só come cachorro-quente. Além disso, ela é feia, virgem, tímida, solitária, ignorante, alienada e de poucas palavras.

Quando vai morar no Rio de Janeiro, consegue um emprego de datilógrafa na cidade. Chega a ser despedida pelo patrão, seu Raimundo, que por fim tem compaixão de Macabéa, deixando-a permanecer com o trabalho.

No Rio de Janeiro, Macabéa mora numa pensão e divide o quarto com três moças. Todas elas são balconistas das Lojas Americanas e chamadas de “as três Marias”: Maria da Penha, Maria da Graça e Maria José.

Um de seus maiores prazeres nas horas vagas é ouvir seu rádio-relógio, emprestado de uma das Marias.

Mesmo destituída de beleza, Macabéa (ou Maca, seu apelido) consegue encontrar um namorado, o nordestino ambicioso e metalúrgico Olímpico de Jesus Moreira Chaves. O namoro termina quando Glória, ao contrário de Macabéa, bonita e esperta, rouba seu namorado.

Quando vai à Cartomante, uma impostora chamada Madame Carlota, Macabéa descobre por meio das cartas sua “sorte”. No entanto, ao sair de lá, atravessa a rua muito contente pelas palavras que acabara de ouvir, sendo atropelada por um Mercedes Benz amarelo.

É ali que ocorre sua “hora da estrela”, o momento em que todos a enxergam e ela se sente uma estrela de cinema. A obra possui uma grande ironia em seu término, visto que só no momento da morte é que Macabéa obtém a grandeza do ser.

A obra permite ser referenciada em temas como vazio existencial, solidão, importância do autoconhecimento, conflito entre classes sociais.

[resumo adaptado do site Toda Matéria.]

8. Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto

Isaías Caminha é um mulato que relata sua vida mundana no Rio de Janeiro. Nascido no interior do estado, certa ocasião lê um artigo de jornal contendo ofensas às pessoas de sua raça e resolve partir para estudar na capital, sua intenção era combater esse tipo de postura. Traz consigo uma carta de recomendação dirigida a certo deputado, mas não consegue ter acesso a ele. Atribui à sua condição racial o insucesso na busca por uma colocação. Recebe dinheiro da mãe, que acrescenta aos rendimentos que obtém escrevendo os trabalhos universitários de um amigo estudante de Direito. Ao mesmo tempo, percebe o prestígio que cronistas e repórteres têm junto à população. Aproveita-se do contato casual que mantém com o jornalista Ivã Rostóloff na boêmia carioca e consegue um convite para trabalhar na redação do jornal “O Globo”.

Ali conhece as pessoas envolvidas com o meio jornalístico da capital, como o diretor Ricardo Loberant, que consegue sucesso com matérias sensacionalistas, e Frederico Lourenço do Couto, o Floc, crítico literário que, embora seja tido como homem dotado de cultura superior, só consegue produzir as poucas linhas de sua contribuição diária depois de grande esforço intelectual. Isaías consegue uma colocação como contínuo. A redação do jornal é descrita como um lugar imundo, a despeito da campanha que o jornal move contra as péssimas condições de higiene do Hospício Nacional de Alienados. Agindo com a mesma hipocrisia, Floc, em sua coluna, cobre de elogios pessoas de seu círculo de amizades e membros da alta sociedade.

Logo, Isaías adquire a mesma empáfia de seus colegas, passando a usar alguns ternos que lhe são fornecidos por Ivã Rostóloff. Os amigos mais humildes, que ele conheceu nos primeiros tempos de Rio de Janeiro, são abandonados. A notícia da morte da mãe não o abala muito.

Certa noite, quando o sofrimento de Floc para escrever sua crônica diária se torna insuportável para ele, o jornalista se mata com um tiro na cabeça. Isaías é encarregado de avisar o diretor Ricardo Loberant do ocorrido. Como se trata de algo urgente, acabam por revelar ao contínuo o paradeiro de Loberant: a casa da amante.

De posse desse segredo, consegue do chefe um tratamento de maior consideração, subindo gradativamente na hierarquia do jornal. Em dois meses, sai da condição de contínuo para a de repórter da Marinha, posto no qual é bajulado por oficiais que pretendem obter alguma nota favorável na imprensa. Suas relações com Loberant se estreitam cada vez mais e eles se tornam companheiros de boêmia.

Um dia, envolvido em reflexões, Isaías compara sua vida presente com os sonhos utópicos alimentados na juventude e fica um tanto decepcionado. Resolve abandonar a redação, a despeito dos pedidos do diretor para que permaneça ali. Essa decisão, contudo, não significa uma correção de conduta: Isaías abandona a amargura que se apodera dele e se torna político.

[resumo extraído do site Educação.Literatura/G1]

A obra permite ser referenciada em temas como imparcialidade da imprensa, relação da imprensa com o Governo, preconceito racial.

9. Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski

Uma das características mais marcantes do romance é o aprofundamento psicológico dos personagens. O mundo interno tem tanta importância quanto o externo. Essa dedicação à descrição e aos diálogos internos faz com que o romance se aproxime de um ensaio sobre a psicologia humana.

O personagem principal do livro é Ródion Ramanovich Raskolnikov, um ex-estudante que vive na miséria em um minúsculo apartamento em Pitsburgo. Ele acredita que está destinado a grandes ações, mas que a miséria o impede de atingir todo o seu potencial.

É colocada uma questão moral: o assassinato de uma pessoa reles seria moralmente errado se o objetivo fosse nobre? Raskolnikov acredita que todas as pessoas superiores acabam cometendo assassinatos para atingir seus objetivos, que no final são grande avanços para a humanidade.

Convencido de que ele é um dessas pessoas, Raskolnikov acredita que matar uma velha – que empresta a juros altíssimo e maltrata a sua irmã mais nova – para conseguir os meios para atingir seu potencial não é um ato moralmente condenável, mesmo que seja contra a lei.

Raskolnikov passa, então, a planejar o assassinato, sendo uma das suas maiores preocupações o efeito psicológico que este ato pode causar nele. O ex-estudante acredita que durante e depois do assassinato ele por ser acometido por uma espécie de remorso, como se fosse uma doença.

Dostoiévski explora o lado psicológico de uma forma excepcional. Após assassinar a mulher, Raskolnikov entra em um estado febril e de delírios. A narrativa acompanha esse estado, e o leitor é envolvido em inúmeras questões e detalhes que passam pela cabeça do assassino.

Além dos conflitos internos, Raskolnikov se depara com muitos personagens secundários que aprofundam os questionamentos feitos pelo personagem e pelo escritor. É como se cada personagem existisse independentemente da narrativa. A extenuante descrição física e moral que Dostoiévski faz dos personagens ajuda a criar todo um universo em volta deles. A maioria dos diálogos são surpreendentes, os personagens agem de forma autônoma e não necessariamente de acordo com a expectativa do leitor.

A obra permite ser referenciada em temas como culpa e punição versus justiça.

[resumo adaptado do blog Cultura Genial]

10. O Primo Basílio, de Eça de Queirós

Passado em Lisboa, nesta obra conta-se a história de uma casal – Luisa e Jorge – que vive pacatamente. A ação começa quando Jorge tem de viajar para o Alentejo por motivos profissionais. Durante a ausência do marido, Luisa é inesperadamente surpreendida pela visita de Basílio, seu primo e amigo de infância com quem havia trocado algumas cartas de teor romântico. Seduzida por este, Luisa acaba por cair em adultério.

Mas Luisa tinha uma criada, Juliana, que, rancorosa e mesquinha, ao descobrir o segredo dos dois amantes através de uma carta destes, faz chantagem, obrigando a ama a servi-la como se fosse ela a dona da casa e exigindo pelo seu silêncio uma quantia exorbitante. A pobre senhora sujeitou-se a todas as humilhações, mas não tinha tanto dinheiro. Pediu-o a Basílio, mas este, já entediado das relações com Luisa e também sem dinheiro, regressa apressadamente para a França.

Com a chegada do marido, a situação complicou-se ainda mais. Luisa começa a ficar doente, abatida e sem apetite, fato que preocupa e indigna Jorge.

Luisa, já desesperada, numa tentativa de solucionar o problema, conta tudo a Sebastião, um amigo de Jorge que, com a ajuda de um policial conhecido, consegue tirar a carta das mãos da criada. Esta, assustada pela inesperada interpelação, sofre um ataque cardíaco e morre. O sucedido enche Luisa de alegria, que julga ver acabados os seus tormentos.

Mas o destino não quis que assim fosse. Basílio tinha recebido na França uma carta de Luisa na qual lhe pedia dinheiro, mais uma vez, e decide responder muito tempo depois de a ter recebido. Nela promete enviar a quantia necessária para calar a criada. Todavia, esta carta acaba por ser lida por Jorge que, naturalmente, exige explicações à esposa.

Vendo-se desmascarada, Luisa adoece e não resiste à morte. Após a sua morte, Jorge abandona a casa onde haviam vivido.

Algum tempo depois, Basílio volta a Lisboa e procura a prima. Ao ver a casa fechada, é informado que esta falecera. Basílio responde com uma indiferença impiedosa à notícia.

A obra permite ser referenciada em temas como adultério, baixeza de caráter, fragilidades do casamento tradicional (moral e costumes).

[resumo adaptado do site CITI]

Boa leitura!
Ena Lélis + Equipe Redação Nota Dez

Imagens dos livros referenciados:
Livraria Saraiva (imagens 1, 3)
Amazon (imagens 2, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10)

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