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ATUALIDADES | Os impactos econômicos e ambientais do desperdício de alimentos

Equipe RND
Escrito por Equipe RND em 10 de maio de 2022
ATUALIDADES | Os impactos econômicos e ambientais do desperdício de alimentos
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A partir da leitura e reflexão sobre os textos de apoio abaixo, escreva um texto dissertativo-argumentativo no qual você discorra sobre o seguinte tema: Os impactos econômicos e ambientais do desperdício de alimentos. Caso julgue necessário, busque leituras adicionais.

Não deixe de fazer o planejamento da sua redação.

TEXTOS DE APOIO

Texto 1

De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), a perda de alimentos é a diminuição da quantidade ou qualidade dos alimentos resultante de decisões e ações de fornecedores de alimentos da cadeia de valor, como produtores, transportadores e armazenadores.

Já o desperdício de alimentos é a diminuição da quantidade ou qualidade dos alimentos resultante de decisões e ações de varejistas, serviços de alimentação como bares, restaurantes, hotéis e refeitórios, e consumidores.

Fonte: Dietas sustentáveis, sim. Desperdício de alimentos, não. / WWF

Texto 2

Trecho de entrevista com dois dos autores do Índice de Desperdício de Alimentos 2021: Clementine O’Connor, especialista em sistemas alimentares do PNUMA, e Tom Quested, analista da organização sem fins lucrativos WRAP [organização britânica de resíduos]. 

PNUMA: Quais são as principais conclusões do  Índice de Desperdício de Alimentos 2021?

Tom Quested: Espantosos 17% de todos os alimentos disponíveis para consumo humano são desperdiçados. Se você pode imaginar 23 milhões de caminhões de 40 toneladas totalmente carregados – pára-choque com pára-choque, o suficiente para circular a Terra sete vezes – então é disso que estamos falando. O relatório estima que, em 2019, 61% do desperdício de alimentos foi gerado pelas famílias, 26% do serviço de alimentação e 13% do varejo.

PNUMA: Por que o desperdício de alimentos é importante?

Clementine O’Connor: Mesmo antes da COVID-19, cerca de 690 milhões de pessoas no mundo estavam subnutridas. Três bilhões de pessoas não têm condições de manter uma dieta saudável. Alimentos não consumidos são um puro desperdício de energia e recursos que poderiam ser melhor aproveitados. A redução do desperdício de alimentos no varejo, nos serviços de alimentação e nos lares pode oferecer benefícios multifacetados para as pessoas e para o planeta. Até agora, as oportunidades proporcionadas pela redução do desperdício de alimentos permaneceram amplamente inexploradas e subexploradas.

Fonte: Como o desperdício de alimentos está destruindo o planeta. / UN Environment Programme

Texto 3

Se 17% dos alimentos disponíveis no mundo são jogados fora, é de se esperar que isso tenha um forte impacto econômico, social e ambiental.

Segundo a ONU, estima-se que entre 8% e 10% das emissões globais de gases de efeito estufa estão associadas a alimentos que não são consumidos.

“O impacto ambiental é enorme. Para se ter uma ideia da escala disso, se o desperdício de alimentos fosse um país, seria o terceiro maior emissor do planeta, atrás apenas da China e dos Estados Unidos”, diz Richard Swannell, diretor da WRAP.

“Portanto, o desperdício de alimentos impulsiona a mudança climática”, acrescenta ele à BBC News Mundo.

A responsabilidade pelo desperdício de alimentos nas mudanças climáticas é medida levando-se em conta todo o processo por trás de um determinado produto.

Tome-se como exemplo um legume ou uma verdura. Devemos pensar na cadeia por trás desses produtos, desde sua colheita até chegar a nossa casa.

Isso inclui o terreno onde é cultivado (terras que muitas vezes são fundamentais para o habitat natural de uma determinada região) e os fertilizantes, além do processo de embalagem, armazenamento (que geralmente requer baixas temperaturas que dependem do combustível), transporte, etc.

O mesmo se aplica à carne, para a qual uma enorme cadeia de produção e processamento é necessária antes de chegar à boca do consumidor.

Por outro lado, em termos econômicos, o desperdício de alimentos não afeta apenas o bolso do consumidor (pois ele está pagando por um produto que não está comendo), mas também o mercado em geral.

“O aumento da demanda pelos produtos impulsiona os preços para todos”, explica Quested.

Richard Swannell, por sua vez, acrescenta que “uma família média do Reino Unido desperdiça cerca de 700 libras (US$ 970 ou R$ 5,5 mil) em comida a cada ano. Isso equivale a cerca de US$ 80 (R$ 450) por mês em alimentos que não são consumidos”.

Assim, reduzir as perdas poderia diminuir os custos de produção, pois o sistema se tornaria mais eficiente como um todo.

O impacto social também é brutal se considerarmos o grande número de pessoas que não têm acesso a alimentos de qualidade no mundo.

De acordo com a FAO, 690 milhões de pessoas passaram fome em 2019, um número que deve aumentar drasticamente após a pandemia do coronavírus. Além disso, 3 bilhões de pessoas não podem pagar por uma dieta saudável.

Assim, a contradição entre desperdício e a falta de alimentos é clara.

Fonte: PAÚL, Fernanda. Os efeitos do desperdício chocante de alimentos no mundo / BBC News Brasil

Texto 4

Além de reforçar a situação de insegurança alimentar, o desperdício de alimentos gera consequências graves para a preservação ambiental.

Isso acontece porque a produção agrícola em larga escala exige um enorme volume de água e uso de insumos agrícolas (agrotóxicos e fertilizantes, por exemplo) que prejudicam o meio ambiente. Além disso, gera mais:

  • desmatamento;
  • aumenta a demanda por transporte;
  • consumo de energia e de combustíveis fósseis.

Segundo a FAO, cada fase da logística agrícola incrementa o custo ambiental da produção. Assim, quanto maior o volume de alimentos perdidos na cadeia produtiva, maiores serão as consequências negativas para o planeta.

As causas para tanto desperdício são muitas. Toneladas de alimentos são jogados no lixo em função de sua alta perecibilidade, condições inadequadas de embalagem, manuseio, transporte e armazenamento.

Em alguns países, fatores estéticos são a justificativa para o desperdício de alimentos — muitos mercados consumidores rejeitam pequenos defeitos em frutas e legumes, por exemplo.

No Brasil, cerca de 10% dos alimentos também são desperdiçados na casa dos consumidores, ainda que o país tenha uma alta taxa de rejeição ao desperdício de alimentos.

FORMAS DE MINIMIZAR O DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS

Selecionamos as melhores práticas para minimizar o desperdício de alimentos em âmbito doméstico:

  • opte por alimentos produzidos localmente. A agricultura familiar é mais sustentável, mais saudável e ainda fomenta a economia local. Além disso, é possível minimizar as perdas nas fases de transporte e armazenamento;
  • aprenda a preparar receitas mais sustentáveis, com partes dos alimentos que geralmente são jogados no lixo, como raízes, cascas e sementes;
  • crie grupos para compra e compartilhamento de alimentos. Atualmente, existem modelos de assinatura para o consumo sustentável. Você também pode contatar os produtores de alimentos mais próximos e formar grupos para adquirir os produtos a um preço mais acessível, de acordo com a sazonalidade e sem desperdício;
  • diminua o volume e aumente a frequência de compra de alimentos nos mercados, assim você não precisa armazenar grandes quantidades, o que reduz o desperdício. Além disso, você consome produtos sempre frescos e melhora o planejamento do seu consumo familiar;
  • aprenda a armazenar de forma adequada as sobras dos alimentos;
  • mantenha os armários e a geladeira sempre organizados. Use o sistema de gestão de estoques FIFO (First In, First Out). Assim, produtos comprados antes devem ser consumidos primeiro;
  • aprenda a fazer compostagem de resíduos orgânicos. Você pode usar o húmus para criar a sua própria horta!
  • Por fim, ajude pessoas ao seu redor, busque organizações que auxiliem em doações e criem campanhas para a redução da fome no país. 

Fonte: Desperdício de alimentos: entenda suas consequências / OXFAM Brasil

Texto 5

Você come e muda o planeta / WWF

Texto 6

Documentário “Antes de que vire lixo” (2016)
Produção: Beatriz Albertoni, Giulia Vidale e Paula Forster

Boa produção!
Um abraço,
Equipe Redação Nota Dez

Imagem: Freepik

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